É a minha área desde 1994, e continua sendo o centro de tudo o que faço. A fisiologia do exercício estuda o que acontece dentro do corpo quando o esforço aumenta: onde a intensidade deixa de ser sustentável, quanto tempo se aguenta ali, e o que isso cobra depois.
A pergunta que organiza o trabalho
Duas pessoas com o mesmo VO₂ máximo sustentam frações muito diferentes dele ao longo de horas. A diferença não está no teto, está nos limiares. Foi isso que mostramos no início dos anos 1990, avaliando triatletas nas três modalidades e relacionando lactato, glicemia e frequência cardíaca ao desempenho em provas reais: o limiar de lactato previa o resultado melhor do que o VO₂ máximo.
Três décadas depois, a conclusão não envelheceu. O que mudou foi a capacidade de medir.
O que se mede
- Limiares de lactato, em estágios, na modalidade do atleta: o primeiro, que separa o que se sustenta por horas; o segundo, que marca o teto.
- Consumo de oxigênio e limiares ventilatórios, quando a pergunta exige o laboratório.
- Frequência cardíaca e deriva cardiovascular, especialmente no calor, onde o coração acelera sem a potência subir.
- Cinética de recuperação: o que o organismo faz depois que o esforço termina.
Por que isso importa fora do laboratório
Zonas de treino calculadas por idade ou por percentual da frequência cardíaca máxima partem de um corpo médio que não existe. Medido o limiar, as zonas passam a ser da pessoa. A correção mais comum que aparece depois do teste não é treinar mais: é descobrir que o treino leve estava forte demais e o forte, leve demais.
O que mudou na última década
O limiar diz o custo. Ele não diz como o gesto se desorganiza quando a fadiga chega, nem o que o esforço deixou no metabolismo dias depois. É por isso que a fisiologia, hoje, não trabalha sozinha: ela conversa com a biomecânica computacional, que filma e mede o movimento no mesmo teste, e com a inteligência artificial, que cruza as duas leituras em tempo real.
Colaborações
Três décadas de trabalho com atletas, clubes, centros de treinamento e universidades, no Brasil e fora dele, em pesquisa publicada e em avaliação aplicada.
