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Sinais do Corpo · Ciclismo

O favorito caiu. O que isso ensina sobre o seu treino

Um Grand Tour não premia o maior pico. Premia quem perde menos ao longo de três semanas. Na sua escala, é a mesma regra.

Por Pedro Balikian Jr.·06 de setembro de 2026·4 min de leitura
O favorito caiu. O que isso ensina sobre o seu treino

Tadej Pogačar chegou à Vuelta como o grande favorito e abandonou após uma queda na oitava etapa. Enric Mas assumiu a camisa vermelha, e a prova, que parecia decidida, virou uma prova de verdade.

Não vou comentar a queda. Acidente é acidente. Mas quero usar o momento para desfazer um mito que vejo todo dia em quem treina: a ideia de que o melhor é quem tem o maior número.

O maior pico não vence três semanas

Pogačar tem, provavelmente, os maiores números do pelotão. E a Vuelta vai ser vencida por outra pessoa. Isso não é só azar. É uma característica da prova. Um Grand Tour não premia o maior pico de potência. Premia quem perde menos ao longo de vinte e uma etapas: consistência, recuperação, saber quando não atacar, chegar inteiro no dia decisivo.

Quem acompanha ciclismo conhece a lista de favoritos que chegaram à terceira semana sem pernas, sem cabeça ou sem clavícula. O favoritismo é uma fotografia do pico. A prova é um filme do desgaste.

Na sua escala

O corredor que faz o treino mais forte da assessoria raramente é o que corre melhor a prova. O ciclista que “ganha” todo treino de grupo costuma ser o que chega cansado no evento do ano. Quem corre melhor é quem fez o treino certo, na intensidade certa, semana após semana, e chegou inteiro no dia.

Existe um sinal simples para saber de que lado você está. Olhe a sua semana de treino. Se toda semana tem um treino “épico”, aquele que você conta para os amigos, e dois treinos ruins logo depois dele, você está treinando como quem quer ganhar uma etapa. Não como quem quer ganhar a Vuelta.

O treino épico não é o problema. O problema é o que ele custa, e o que você deixa de fazer nos dias seguintes para pagar a conta.

O que fazer com isso

Por quatro semanas, tente o contrário. Nenhum treino épico. Todos os treinos terminando com a sensação de que dava para fazer mais um pouco. Ao fim das quatro semanas, faça o mesmo percurso ou o mesmo tempo de sempre e compare.

Na maioria das pessoas que eu acompanho, o resultado é o mesmo: menos heroísmo, mais evolução. É a terceira semana da Vuelta, aplicada à sua vida.

Sinais do Corpo é uma série sobre o que o seu corpo mostra, o que a ciência explica e o que você pode testar sozinho.